Welcome To Dangerous Friendship


Bem Vindos ao Blog-Site da história Perigosa Amizade.
Aqui estão postados os capítulos da primeira e segunda temporada da história. Você pode achar o link dos capítulos diretamente no site www.perigosaamizade.webnode.com/ ou aqui, na fileira de capítulos abaixo do perfil do blog.
Não comece a ler pela última postagem abaixo se não for o capítulo 01x 01 Amigas Para Sempre - pois provavelmente será o último capítulo postado por nós, então, se você não acompanha a história, saberá de fatos adiantados.
Se quiser saber mais sobre os personagens, conversar com a gente ou deixar seu comentário sobre a história, participe na nossa comunidade no orkut. Lá você encontrara uma legião de leitores, que assim como você, gostam de Perigosa Amizade.
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Obrigada pela atenção, pessoal. E boa leitura. Espero que acompanhem Perigosa Amizade até o fim, por que enquanto houver leitores haverá história.

Com carinho, Gizella, @gizellab, escritora.



segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Capítulo 02 x 26

QUEM SOU


- O que você está fazendo aqui? – quis saber Sean.
- Eu que devia te fazer essa pergunta, não? – Nicole riu. – Mas, tudo bem. Eu vim tomar um copo de água antes de ir pra aula, ouvi vozes e desviei do meu caminho...
Ela arrastou os olhos para as mãos de Sean. O garoto as olhava com uma expressão de dor. Nicole andou até ele.
- Deixa que eu te ajudo. Não devia, mas ajudo – ela encaminhou para os ombros a bolsa que carregava nas mãos e se curvou estendendo o braço para que o garoto se levantasse.
Sean saiu do chão com a ajuda dela, mas não a agradeceu. Ele limpou sua calça empoeirada e encarou Nicole como se ela já pudesse ir embora.
- Legal. Agora você pode voltar pra aula – disse ele.
Na mesma hora Nick soltou uma risada debochada.
- Acha mesmo que eu vou voltar pra aquela aula chata enquanto você pula o muro do colégio?
- E o que você quer? Ir junto? – ironizou ele, mas a garota não levou na ironia.
- Pode ser.
- O quê? – Sean exaltou-se. – Você é louca? Não pode ir junto! O que eu vou fazer é importante.
- Importante? – Nicole ficou curiosa.
- Será que você pode sair daqui sem dar bandeira? – inquiriu autoritário.
- Não. Não posso – a garota cravou os pés no chão e levou uma mão a cintura, demonstrando-se tão autoritária quanto ele.
- Sean, quem tá aí? – gritou Roxy da calçada. Fazia minutos que a roqueira o esperava lá fora. Estava esgotada já. A paciência de Roxy não durava tanto.
- Hm... Não sabia que você era do tipo de fugir do colégio para encontrar com a namorada, Sean – Nicole curvou os lábios num sorriso pervertido. – Agora tudo fica mais emocionante.
- Não, não é nada disso – ele sacudiu a cabeça.
- Não? Ah, que pena. Por que eu começava a entender o porquê eu não poderia ir.
- Sério? Ah, então é tudo isso que você está pensando – Sean assentiu com a cabeça, se apressando para empurrá-la de volta pro pátio.
- Tira as mãos de mim! – Nicole ordenou e Sean a obedeceu.
Ela virou-se o encarando diretamente nos olhos. Sean sentiu um arrepio. Aqueles olhos castanhos e audaciosos estavam nos seus, paralisando-o as ações.
- Eu só saio daqui quando você me explicar direitinho por que estava pulando o muro do colégio.

Enquanto isso, do lado de fora do colégio, Roxy andava impaciente de um lado para o outro.
- Cadê você, Sean? – ela parou de frente pro muro e o fitou na esperança de seu amigo surgir ali a qualquer minuto.
De repente um carro encostou-se ao meio fio da calçada e se destacou com o barulho do motor sendo desligado uma música diferente das que a roqueira costumava ouvir.
Roxy olhou para trás. Era Matt. Ela sabia que se tratava dele.
O garoto nem saiu do carro, apenas encostou a cabeça no apoio do banco do motorista e baixou inteiramente o vidro, podendo ter uma visão clara da garota de pé na calçada.
- O que você tá fazendo aí... Sozinha? – perguntou ao olhar para os lados e não ver ninguém além de Roxy.
- Programa – ela respondeu cínica.
Matt riu: - E quanto é a hora?
Ele abafou a risada com um sorriso malicioso e Roxy rolou os olhos deixando escapar uma risada involuntária.
- Estou esperando o Sean que não pula nunca esse muro! – reclamou, apontando para a parede alta atrás de si.
Matt acompanhou com os olhos para onde a menina apontava e franziu a testa ao ver uma alma surgindo em cima do muro. Uma alma ruiva, bronzeada e atraente demais para ser Sean.
Ouvindo resmungos e os barulhinhos de pedrinhas escorrendo do muro e caindo no chão, Roxy olhou para cima, imediatamente questionando-se quem era aquele ser.
Quando Nicole conseguiu firmeza para se sentar no muro e pular pra calçada, Roxy a reconheceu. A roqueira bufou incrédula.
- O que você tá fazendo aqui? – perguntou sem dar tempo pra garota se ajeitar depois do pulo.
- Eu te faço a mesma pergunta – Nicole riu se divertindo com a emoção de estar fugindo pela primeira vez de um colégio.
A carioca arrumou a roupa amarrotada e apanhou sua bolsa que Sean havia jogado logo depois.
Após se ajeitar, a carioca fitou o carro ao lado delas, encontrando com os olhos o olhar refutável de Matt. Mais emoção! Um carro estava ali só para levá-los a onde iriam.
Em seguida a mochila de Sean foi lançada e o baterista apareceu fazendo o mesmo que Nicole e passando do muro para a calçada num pulo corajoso.
- O que ela está fazendo aqui? – indagou Roxy sem dar tempo pro amigo respirar.
- Ela quis vir, não pude dizer não – disse ele.
- Como não pôde dizer não? – clamava Roxy por uma explicação mais digna.
- Ei, calminha aí, querida – Nicole se intrometeu. – Sei que a amiga de vocês corre perigo e estou aqui para ajudar.
- Ah, que ótimo! Ela sabe da Small! –Roxy encarou Sean, inconformada – Nossa. Eu devia ter chamado a Missy, o Cachaça... Todo o colégio! Por que virou festa, não é? – a roqueira se revoltou. Ela saiu andando para o carro e entrou neste se sentando no banco do acompanhante e batendo a porta. Trocou a música irritante que tocava na rádio por outra e encostou o cotovelo na janela, alisando nervosamente a testa enquanto esperava os amigos fazerem o mesmo que ela para poderem partir.
Sean e Matt se entreolharam. E por incrível que pareça o guitarrista não fez nada. Ele a olhou pelo canto do olho e voltou o olhar para o amigo que ainda se encontrava na calçada.
- TPM – sussurrou Sean, fazendo Matt rir.
O que Sean não se tocou foi que Roxy havia entrado no carro e se sentado ao lado de Matt sem resmungar nenhuma palavra. Ela não foi relutante, apenas o fez. Ela poderia ir no banco detrás com Nicole. O que seria o certo, aliás.
Assim que saíram da rua do colégio, Nick pediu para Matt destravar o mecanismo que impedia que os passageiros do banco traseiro abrissem os vidros e, assim que conseguiu abaixar seu vidro, a carioca arrancou de maneira sensual o uniforme do colégio, deixando em seu corpo uma blusa decotada que vestia por baixo.
O olhar de Sean pulou da janela dele para o colo dela em questão de segundos.
E com Matt aconteceu o mesmo, só que pelo retrovisor interno do carro.
Roxy olhou para trás. Nicole ajeitava com as mãos o decote de sua blusa e reclamava do calor.
A roqueira rolou os olhos com os olhares dos meninos para a outra, principalmente com o de Matt.
O que poderia ser pior do que ter que agüentar isso durante todo o trajeto? Ela suspirou, encarando a estrada. E lá estava o que podia piorar. Um trânsito de carros se arrastada pelas principais avenidas que levariam os jovens a Santo André. Havia acontecido um acidente, e parecia grave, mas Roxy só conseguiu bufar com o fato de que agüentaria Nicole por mais tempo do que o previsto.
- Droga. Quando chegarmos lá a Small já vai ter feito todas as burradas do mundo – estrilou Roxy.
- O trânsito é só nesse pedaço. Relaxa – disse Matt, pisando o pé no freio e soltando uma mão do volante. Ele ergueu parte do corpo no banco apanhando o maço de cigarros no bolso detrás da calça. O garoto acendeu um cigarro e puxou um trago.
Roxy cerrou os olhos.
- Ah, estou bem relaxada agora, obrigada.
Matt desaprovou com a cabeça, ignorando as queixas da menina. Ele sabia que ela falava de seu cigarro, mas não o apagaria. Não enquanto enfrentava aquele trânsito infernal.
- Então você fuma? – indagou Nick.
- Não, ele está apenas bronzeando os pulmões – intrometeu-se Sean, arrancando uma risada alta de Roxy.
Os olhos de Nicole passearam intolerantes e Matt a olhou pelo pequeno espelho do retrovisor, rindo.
- Fumo. Por quê? Você quer um? – ele já ia oferecendo o maço a ela quando a carioca negativamente balançou a cabeça: - Não, obrigada. Não fumo.
Matt franziu a testa. Normalmente garotas como Nicole, fumavam. Pelo menos as que ele conhecia.
- Não preciso fumar para ser interessante – disse ela, suspeitando do questionamento dele.
Matt reconheceu a fala dela como uma educada repreensão ao seu vício, por isso ficou calado.
Ele permaneceu sério, talvez mal humorado, mas atento aos carros que se entrecruzavam na estrada.

Nesse meio tempo, o sinal do colégio já havia tocado e os alunos liberados para as férias.
Só Missy não deixou o portão na correria. Ela ficou parada na entrada até o último aluno sair. A pequena apertava as mãos, ansiosa. Onde estava Roxy e o Sean? Será que ela havia conseguido marcar um passeio com ele?
Quando uma das inspetoras veio fechar o portão do colégio, foi que a pequena caminhou para a casa.
Mesmo sem mais esperança de encontrá-los, Missy seguiu por todas as ruas com o olhar irrequieto a procurá-los a cada esquina que virava. Desapontada, ela tentava somente pensar em explicações positivas para o sumiço dos dois.

Mais tarde, Small afrontava com os olhos um galpão gigantesco.
Ela estava na calçada do outro lado da rua e nem conseguia piscar, impressionada com o esplêndido local. Ela havia imaginado mil formas e diâmetros para não levar um choque ou se decepcionar quando chegasse ao lugar, mas era impossível não ficar chocada, ela nunca esperaria um lugar tão formal, e totalmente fora de seu padrão de vida.
Small respirou fundo. Como ela entraria lá sem chamar atenção? Tudo bem que ela não fosse chamar atenção por ser uma pessoa de presença, mas chamaria justamente por não ser. As pessoas que freqüentariam aquele evento deviam ser no mínimo, artistas.
Uma mulher magra aspirava um tapete marrom e comprido que alguns homens fortes haviam colocado na entrada principal diante de uma porta dupla. A estudante pensou em ir falar com ela, contar sua história e pedir ajuda, mas qual seria a reação da moça? Small se colocou mentalmente no lugar da senhora, deduzindo que era melhor não dizer nada para não ser chamada de louca e expulsa dali a vassouradas, ou melhor, aspiradas.
Sua concentração se perdeu com um ônibus que acabara de chegar, deixando um grupo de jovens garotas nos fundos do local.
Eram todas altas e bastante magras, esteticamente bonitas.
Small as observou por um tempo. Algumas estavam de cabelos presos outras com eles soltos, mas todas usavam chinelo e estavam sem maquiagem.
Elas passavam por uma porta aberta sem impedimento algum e, tirando a altura e os chinelos, Small se enquadrava no biótipo delas, podia facilmente se misturar e entrar junto.
A jovem analisou a situação... O que tinha a perder? O primeiro passo foi se aproximar do ônibus, entrando no meio das garotas assim que teve oportunidade.
E funcionou. Em poucos segundos, depois de atravessar com as garotas um corredor que parecia sem fim, Small se viu dentro do lugar. Como esperava, a decoração lá dentro era bem mais receptiva do que do lado de fora. Tudo era mais chamativo e hipnotizante.
Qualquer outro lugar se tornaria simples perto daquelas paredes pintadas com cores que pareciam ser exclusivas, pisos brilhantes e encerados, e lâmpadas em cada canto ofuscando nossa atenção.
Small sorriu deslumbrada com as mesas estrategicamente postas em volta do que seria um palco dentro de um salão gigante que viu ao passar por uma porta arreganhada de tantas outras fechadas naquele corredor.
As garotas a sua volta andavam como se fossem robôs, uma mais apressada do que a outra, entrando todas numa portinha insignificante perto das outras que haviam no local. Elas sabiam o que fazer, só Small estava perdida. Muitas a lançavam olhares indagadores, mas nenhuma se propôs a questionar a presença da estudante.
Num empurra-empurra de ombros e braços, Small trombou com um homem. Ela o encarou assustada e ele a mediu com os olhos, de cima a baixo e de baixo a cima, levando uma mão a altura do peito antes de se demonstrar horrorizado: - Jesus! – ele exclamou da forma mais gay possível – Cada vez eles contratam modelos menos classificadas. Isto está virando moda já! – e quando Small achou que iria levar uma bronca e ser jogada pra fora, ele abriu um sorriso: - E moda é comigo mesmo! Vamos, monstrinha. Tenho que te deixar descente para o show que daremos hoje à noite – sem pedir permissão, ele a arrastou pelo braço para a sala que todas as garotas já haviam adentrado.
Small tentou protestar, mas o estilista, maquiador, cabeleireiro, ou seja lá o que aquele homem era, não a deixou falar.
Ele a jogou numa cadeira, a posicionando de frente pra um espelho enorme que dividia com outras jovens que se encontravam na mesma situação da estudante. O homem separou uma fileira de maquiagens de todos os tipos sobre a mesa adiante deles e soltou os cabelos da jovem, pegando um secador e uma escova.
Por fim, ele a olhou pelo reflexo do espelho.
- Vamos começar. Você será o meu trabalho mais trabalhado – um risinho exibido surgiu nos lábios dele e Small apertou os seus. Estava ferrada!

O céu começava a perder o azul quando os carros começaram a chegar.
Havia seguranças em todas as pontas do galpão e fotógrafos ilustravam a chegada dos convidados com seus flashs ligados em cada rosto que por ali passava.
A uma quadra de onde acontecia toda aquela movimentação, se encontravam Roxy, Sean, Nicole e Matt, de tocaia.
Os quatro haviam chegado a mais de duas horas, e desde então não ousaram sair do carro.
Acontece que ali dentro apenas Nicole tinha coragem suficiente para pisar os pés fora do carro e se dirigir a festa sem temer ser barrada. Por que era óbvio que a carioca seria barrada.
O motivo era: os carros que ali paravam eram bem mais caros do que o VW Polo que Matt havia pego emprestado com o pai de Sean sem avisar, e os trajes formais e gestos sofisticados das pessoas que saíam destes carros os faziam ver o quão distantes estavam daquele mundo.
Nenhum dos quatro sabia bem o que fazer. Tudo que viam era um motivo a mais para ficarem onde estavam, excluindo Nicole, que se perdia em pensamento se imaginando no lugar das mulheres de vestidos longos que posavam para as fotos.
- Vamos ficar aqui a noite toda, é? – perguntou Nick, não agüentando mais o tédio. – Por que se for, saibam que a nossa aventura está se tornando uma grande chatice!
- Aventura? – Sean foi o único que fez o favor de respondê-la, advertindo – Isso é sério, Nick. Não era pra ser legal, desculpe se ficou iludida.
Nicole rolou discretamente os olhos se inclinando para a parte vaga que separava os dois bancos da frente. Ela dobrou os braços usando de apoio os encostos dos assentos.
- E o que vocês acham? Vamos ficar aqui a noite toda ou vamos lá salvar a amiga de vocês? - ela lançou um olhar rápido a Matt e Roxy, tentando animá-los.
O casal continuou em silêncio.
- Hein? – Nicole insistiu, cutucando o ombro dos dois, até que Matt suspirou: - Acho que devíamos ter comprado mais cigarros.
Nicole franziu a testa baixando os olhos para o colo do rapaz. Ele manuseava um maço de cigarros aberto, e pela contagem da garota, não havia mais do que dois cigarros dentro.
- Ei, ei! – Roxy exclamou chamando a atenção dos três. – Aquele não é o carro do Thiago? – ela grudou o dedo indicador no vidro de sua janela, apontando para o galpão e todos apertaram os olhos, filmando a chegada de um Azera.
Quando os flashs das máquinas fotográficas acertaram o rosto de quem saía do carro, Roxy teve a certeza de que era Thiago: - É ele, é ele!
Nicole desapontou-se na mesma hora: - Ele? – enfatizou. – Aquele ser magro e pálido é o tal perigoso Thiago? Por Deus, esse garoto tem cara de virgem! Como acham que ele faria mal a alguém?
Sean quis rir, mas a inquietação exaltada de Roxy o travou.
A roqueira girou no banco da frente: - Ai, cala a boca, garota! Você não sabe de nada, firmeza?
- O que eu sei é que esse vilão não tem cara de vilão coisa nenhuma – Nicole retrucou.
Roxy revirou os olhos sem se permitir perder a paciência por culpa daquela garota fútil.
- O que vamos fazer? – inquiriu Sean, sem idéias.
- Comprar cigarros? – sugeriu Matt, mais para descontrair do que por realmente querer fazer isso.
Roxy voltou a rolar os olhos. Ela perdeu a paciência.
- Ai, que ótimo! Estamos feitos! Temos um viciado, uma burra e um sonso! – disse enraivecida se referindo a cada um dos amigos.
- Ei! – Sean tentou protestar, mas Nicole foi mais rápida.
- Quem você pensa que está chamando de burra? – mais alguém perdia a paciência.
- Quem você acha? – Roxy abriu um sorriso cheio de cinismo.
- Arghhhh... Sua vaca! – Nicole pulou pra cima da roqueira, mas antes que ela pudesse arrancá-la os cabelos, Sean a segurou: - Ei, ei! – ele a lançou de volta pro banco detrás.
- Não, Sean, deixa ela vir! Ela acha que pode comigo? Ah, essa eu quero ver! – dessa vez foi Roxy que voou na direção de Nicole.
Ela enfiou seu corpo magro no espaço dos bancos da frente e seu primeiro tapa acertou em cheio as costas de Sean, já que este se inclinou de frente pra Nicole para protegê-la.
O baterista ainda segurava as mãos da carioca, quase deitado por cima dela no banco, impedindo-a de se movimentar direito. Apenas as pernas de Nicole se agitavam tentando acertar o rosto de Roxy.
- Sai de cima de mim, Sean! Me larga que eu vou quebrar a cara dessa vaca emo! – Nicole estrilava.
As duas se xingavam e, quando as mãos da carioca escaparam das de Sean, as garotas começaram a se estapear por cima dos ombros do baterista, acertando metade dos tapas nele.
Sean se irritou ao ouvir a risada de Matt. Qual porcaria graça havia naquela porcaria de situação?
- Matt, faz alguma coisa, droga! Eu tô apanhando aqui – exigiu o baterista.
- E eu vou fazer o quê? – a risada do guitarrista aumentou ao se erguer no banco do motorista e ver a posição e estado do amigo. – Está bom aí, cara? Duas gatas de uma só vez – ele fez um sinal de aprovação com a mão quando Sean o olhou furioso pelo canto do olho.
- Segura a Roxy! – ordenou exaurido.
A risada de Matt se foi e ele se mexeu meio insatisfeito, apanhando Roxy pelos braços: - Owww galinho de briga, chega, vai – pediu gentilmente trazendo a garota para frente.
- Não! Me solta! – Roxy se livrou das mãos dele. - Essa garota vai ver!
- Não, chega.
- Ai, me deixa, garoto! - levar uma cotovelada da roqueira foi tudo o que precisou para Matt explodir.
- Vocês querem brigar? Então vão brigar lá fora! – a voz alterada do guitarrista e seus movimentos bruscos silenciaram por um instante os demais.
Ele abriu a porta do motorista e se retirou, voltando apenas para puxar Roxy pelos braços, arrastando-a pra fora.
A roqueira só pôde se debater, exigindo que ele a soltasse. Entre pontapés e tapas, Roxy não conseguiu se livrar, e pouco provável que tenha acertado algum tapa em Matt. Ela só estava acabando com a parte da frente do carro.
Seu pé chutou três vezes o câmbio, deslocando-o bruscamente pra vários lados. Também tentou se agarrar no volante, mexendo em todos os controles laterais, ativando o pára-brisas, aumentando a luz dos faróis dianteiros e ligando as setas.
Essa desordem fez Sean se esquecer de Nicole e enfiar a cabeça no vão dos bancos da frente, visualizando a tudo boquiaberto.
- O carro do meu pai! – ele exclamou assistindo o pára-brisas riscar o vidro seco.
- Não estou achando graça, Matt! Acho bom você me largar – de pé na calçada, Roxy ainda tentava se desvencilhar do garoto.
Ele fez de má vontade o que ela queria.
- Não era mesmo pra ser engraçado – Matt passou reto por ela, voltando ao carro e consertando os estragos que a rebeldia da menina causara.
Tudo voltava a ficar calmo, as meninas recuperavam os fôlegos cada uma em seu canto... Até se ouvir um forte estalo.
Cega de raiva, Nicole abriu sua porta lateral a chocando contra uma árvore que jurava não ter visto plantada na calçada.
Todos desviaram os olhos para a carioca e ela parou tímida na ponta do banco com as pernas viradas pra rua.
- Ih, foi mal.
Sean perdeu a fala. Ele correu pra fora arrastando Nicole junto.
Sua pressa só serviu para adiantar seu desespero com o tamanho dos danos que aquela batida havia causado no carro de seu pai.
- Eu... Eu... Eu estou morto! – ele balbuciou cravando os dedos no cabelo loiro.
Matt se levantou para ver os estragos. O guitarrista coçou a testa, o que não era um bom sinal.
- Você está mesmo morto, cara. O seu pai vai te matar – teve de concordar.
Nem a pintura negra do automóvel conseguia esconder o amassado na porta.
- O meu pai pode pagar – pronunciou-se Nicole, com a voz mansa pela culpa que carregava. – Posso falar com ele quando voltarmos. Tenho certeza que ele irá cobrir todos os gastos sem reclamar ou contar aos pais de vocês. Assumirei toda a culpa. Ele nem vai questionar, nunca fui uma boa filha mesmo.
- É o mínimo que você pode fazer, não? – intrometeu-se Roxy.
- Cala a boca, garota, que eu estou a um passo de acertar essa tua cara seca!
E, literalmente, Nicole estava mesmo. Pouco espaço separava as duas e o dedo da carioca atirado na direção da roqueira poderia voar tranquilamente para o rosto dela.
As garotas teriam se atracado se Matt não tivesse entrado no meio, abaixando a mão estendida de Nicole e se virando para Roxy.
- Fica quieta, Roxy – pediu.
A garota ficou boquiaberta. Por que Matt estava mandando ela se calar em vez de Nicole? Era inacreditável, mas por que ele estava dando moral a outra?
Ela fitou indignada o jeito gentil com que o guitarrista afastou a carioca para a outra parte da calçada sendo que ele havia arrancado Roxy do carro como se ela fosse um animal selvagem. Tudo bem que Matt tentara ser gentil no começo, mas os meios não justificavam os fins.
Observando-os, tudo ficou claro. Nicole era bonita. Muito mais bonita do que Roxy. Talvez Matt estivesse...
- Urgh! – Roxy rolou os olhos e girou para o outro canto da calçada, dando as costas aos amigos que conversavam.
Achar que Matt estava interessado em Nicole a chateou mais do que ela esperava.
De repente uma luz pairou sobre Roxy. E não foi uma luz de idéias, mas uma luz mesmo, clara e forte, mirando seu rosto como se tentasse desvendá-la.
A roqueira apertou os olhos e murmurou incomodada com a claridade.
Os três demais desviaram os olhos para ela e a mesma luz pairou sobre eles, pulando de um para o outro.
- Quem são vocês? – inquiriu um homem gigante, vestido por um terno preto e com uma lanterna em mãos. Ele era tão alto que mesmo Matt que era o maior da turma teve de olhar para cima.
- Estamos presos? – perguntou o guitarrista, estúpido. Foi a primeira pergunta que passou pela mente dele.
Todos já se preocupavam quando, de repente, Nicole exclamou: - Marcelo?!
O homem moveu a lanterna sentido a garota.
- Nicole? – indagou embasbacado - Ni?
- Eu mesma! – ela riu e correu para os braços dele, dando-o um abraço apertado.
- Ni, calma aí, espera... Não posso te abraçar agora – e de fato não a abraçou, só foi carinhoso ao afastá-la de si.
Sean, Matt e Roxy se entreolharam, mais calmos, mas confusos.
- Quanto tempo a gente não se tromba, Tchelo! Estava com saudades de você – Nicole abertamente sorria para o rapaz – Mas, me diz, o que você está fazendo aqui? Todo arrumadinho e comportado... Está um gato. Veio para a festa, foi?
- Estou a trabalho. Sou o segurança daquele evento – ele apontou discreto para o galpão a direita deles.
Nicole franziu a testa.
- Pensei que você só fazia eventos importantes, Tchelo.
- E você acha que esse não é?
- Não vi nada em revistas, nem em lugar algum.
- Não é porque não apareceu em revistas ou sites que não seja um grande evento. E parece que foi uma coisa mais fechada, só para convidados. Você tem que ver as pessoas que já passaram por aquela porta.
- Oh.
Mais uma vez Sean, Matt e Roxy trocaram olhares. O baterista espantado com a intimidade de Nicole com o segurança enquanto os outros dois tinham a mesma idéia: como entrar no evento sem serem barrados.

Minutos depois, e os jovens já estavam no salão principal do galpão. Nenhum deles vestia mais o uniforme do colégio, haviam o tirado ainda no carro, por ordem de Marcelo, o segurança, que sugeriu para não chamarem atenção.
Mas não funcionou. Pelo menos não para Roxy.
O all star surrado em seus pés entrou em conflito com os olhares enojados que a roqueira recebia a cada passo que dava.
E foi a primeira vez que Roxy sentiu vergonha de ser diferente das outras pessoas, optando por ficar quieta em um canto.
- Não vamos chamar atenção. Vamos só encontrar a Small e ir embora – sussurrou para os amigos parados ao seu lado.
- Tarde demais – Matt sussurrou de volta.
E Roxy virou o rosto para as mesas da passarela. Lá estava Nicole, se misturando facilmente entre os outros convidados.
A roupa da carioca não entrava tanto em contradição com as das outras mulheres. Embora pouquíssimas pessoas usassem calças jeans naquele evento, Nicole ainda podia se misturar, pois a sandália em seus pés e o seu jeito desinibido a faziam parecer uma garota elegantemente simples e não uma penetra de classe média.
Roxy ficou furiosa. Ela fixou um olhar zangado em Sean.
- O que foi? – o baterista indagou. - Eu não sou o pai da Nicole.
- Mas você a trouxe!
Sean não quis iniciar uma discussão com Roxy. Ele soltou um suspiro conformado e partiu na direção de Nicole.


Há metros dali, Small estava pronta pra fugir no salto e deixar pra trás todas as dúvidas sobre Thiago. Ela esqueceria tudo caso conseguisse abandonar o local sem ser pega.
Mas uma mão agarrou seu braço assim que ela deu seu primeiro passo.
- Aonde pensa que vai? – Small reconheceu aquela voz como ser a do homem que a deixou belamente igual às outras garotas dali.
A estudante sorriu para ele disfarçando seu pânico.
- A lugar nenhum. Eu só ia beber água.
- Está louca? Não pode sair agora, temos um desfile pra fazer! – ele indelicadamente a arrastou pelos corredores retos.
- Um desfile? – a estudante não conseguiu conter seu pânico ao ouvir aquilo.
- Sim, querida. Um desfile. Você achou que estava aqui para quê? Para comer canapés e se deliciar com nossas bebidas até não poder mais dirigir e ter de um segurança saradão levá-la para casa? – retrucou esnobe, se voltando para a jovem ao chegarem a uma parte coberta por cortinas vermelho vinho – Não, queridinha. Você está aqui para divulgar as roupas do senhor Hecksher.
E é isso que vai fazer quando pisar esses seus pés feios calçados por esses lindos sapatos ala Sonia Rykiel. Boa sorte – ele a empurrou pro espaço dentro das cortinas.

Enquanto no salão...
- Por que está sendo tão chata? – quis saber Matt.
- O Sean não devia tê-la trazido - Roxy reclamou.
- Não estou falando disso. Você não está sendo chata só com ele, está sendo chata com todo mundo. Sério. Você está mais insuportável do que costuma ser.
- Ah, eu não vou ficar aqui ouvindo isso. Não mesmo – a roqueira sacudiu vagarosamente a cabeça.
No instante em que Roxy girou o corpo para se afastar de Matt, as lâmpadas do local foram todas apagadas, deixando o salão plenamente escuro.
A roqueira recuou um passo e agarrou a mão de Matt ao senti-la próxima a sua.
Cochichos sobre o que pudera ter acontecido eram o que mais se ouvia dentro do salão. E os convidados só sossegaram quando uma luz concentrou-se na passarela e duas lâmpadas fracas foram acesas nas cortinas vermelhas no fim da linha reta do palco.
Uma música dançante foi posta pra tocar em som alto e aos poucos luzes fracas foram contornando o local.
No susto, Roxy apertou a mão de Matt.
Não demorou muito para ouvir uma risadinha convencida ser exalada a sua direita.
Roxy encarou Matt com uma sobrancelha arqueada. Por que ele estava rindo?
O guitarrista apenas olhou para baixo; para a mão da garota nervosamente agarrada a sua.
Roxy recolheu a mão na mesma hora. Suas bochechas queimaram de vergonha e raiva.
Ela nem voltou a encará-lo, tentou concentrar seus olhos no que acontecia enquanto seus ouvidos se mantinham na risada provocativa do guitarrista.

Um homem mais velho, de uns quarenta ou mais anos de idade, veio a subir na passarela no momento em que a música foi abaixada. Ele educadamente pediu desculpas pelo apagão inesperado, mas explicou que tudo fora estrategicamente combinado e que agora teria início uma apresentação inédita das roupas de sua loja mundial introduzida recentemente no Brasil.
O desfile começou assim que o homem deixou a passarela sorrindo orgulhoso vestido com seu paletó Jean Paul Gaultier.
Matt, Roxy e Sean franziram o cenho, cada um se questionando mentalmente se estariam no galpão certo. Mas Thiago estava lá, os três haviam o visto. Não era possível que tivessem errado.
A primeira modelo entrou profissionalmente. Desfilou e saiu.
Andar pé após pé em uma linha reta que parecia existir de tão exata, era o que Small espiava por detrás das cortinas as modelos fazerem na passarela.
Ela respirou fundo ao ver que só faltavam duas garotas para chegar sua vez.


No meio do salão, próximo as mesas...
- Kylie Minogue?
Sean encarou a expressão inconformada no rosto de Nicole.
- Quem eles pensam que são pra por em um desfile uma música mais ultrapassada do que a sua mentalidade? – zombou a carioca.
Os olhos de Sean passearam impacientes e nesse passeio o baterista avistou Thiago sentado em uma mesa rodeada de homens bem mais velhos do que o rapaz.
Todos na mesa possuíam uma visão bem ampla do desfile.
Thiago conversava e sorria, forçando um comportamento agradável com as pessoas que o rodeavam enquanto Sean o fitava sem nenhuma discrição.
O baterista deu um passo decido a tomar satisfações com o outro quando a mão de Nicole tocou seu braço.
- Ei, aquela não é a menina da nossa sala?
Sean voltou os olhos para a modelo que desfilava.
- Small? – o baterista não conseguia acreditar.
- Então... Ela é a amiga que vocês vieram salvar? – inquiriu Nicole.
- Sim.
- E que tipo de amigos vocês são? Querendo salvá-la de um desfile?! – a carioca estava revoltada.
Ao som de Kylie Minogue, Can’t Get You, Small pisou os pés naquela passarela. Estava confiante e comprometida a fazer o mesmo que as outras garotas haviam feito. Ir e vir, com uma volta curta na ponta do palco, de exibição da roupa e despedida para os convidados.
Ela não viu Sean. Nem Nicole, Matt ou Roxy. Mas foi impossível não ver Thiago sentado a poucos metros dela.
O olhar surpreso dele foi o que a paralisou. Small parou no meio da passarela. De repente suas mãos suavam e a estudante havia perdido toda a compostura que tinha dotado das modelos anteriores.
Os convidados a encaravam. Thiago a encarava. Os olhos de Small vagaram pelo salão. Todas as pessoas estranhavam seu comportamento. Sua primeira reação foi prosseguir com o desfile, dando alguns passos, mas em seguida ela travou.
Ao olhar um pouco adiante das mesas, viu Sean. O que ele estava fazendo lá?
Essa pergunta acabou com o que restava de sua coragem. E pôs curiosidade em Thiago. Ele se virou para onde a estudante olhava tão atônita. Mínimos passos atrás dele, estava Sean.
Os dois se encaravam como rivais por um instante, fazendo Small se esquecer da voltinha de exibição das roupas, de carregar uma mão pra cintura e de virar para esquerda para voltar.
A música estava passando, o desfile sendo atrasado. O cara que havia a empurrado pras cortinas chiava detrás das mesmas.
O silêncio dos convidados foi tomado por uma onda de cochichos maldosos e a segunda reação de Small foi mais esperada do que a primeira. A estudante recuou na passarela, e girou o corpo pra direita, voltando assustada pra sala atrás da passarela.
Ouviu palavrões de desaprovação vazar pela boca do maquiador que havia a encorajado a arrasar e risadas cruéis a perseguiram pelos corredores até o vestiário.
A estudante se trancou no banheiro e vestiu suas roupas. Seus pés estavam tão cansados daquele salto alto e seu rosto coberto por maquiagem a deixava fútil como nunca fora.
Small arrancou papeis toalhas do dispenser e saiu do banheiro limpando a maquiagem. Aquele mundo não pertencia a ela. E se Thiago fazia parte dele, também não pertencia.


O desfile continuou depois do transtorno causado pela jovem. As pessoas se calaram, embora a maioria quisesse saber o que havia acontecido com a modelo.
O rosto de Thiago havia perdido todas as expressões. Os sorrisos para os convidados junto ao bom humor em puxar conversa se foi.
Nem ele sabia ao certo o que sentia.
Um homem de cabelos grisalhos, o mesmo vestido por Jean Paul Gaultier, não tirava os olhos de Thiago. Uma ruga de preocupação se formou na testa dele. Como todos os outros presentes ali, ele havia presenciado o desastre da menina, mas não foi nela que sua atenção se focou. Durante todo o momento seus olhos estiveram fixos na reação estupefata de Thiago.
- Quem era aquela moça? – quis saber.
- Ninguém – Thiago pediu licença aos demais e se retirou da mesa.
Ele sabia a aonde ir se quisesse falar com Small.
Porém, o homem não engoliu aquela resposta seca. Assim que Thiago saiu, ele fez um sinal para que um dos seguranças viesse até ele, e pediu que retirasse o rapaz loiro e a garota dançante que estavam de pé atrás das mesas. Ele não se lembrava daquelas pessoas, e eles não estavam vestidos para um evento como tal. Também ordenou que descobrisse quem era a modelo que quase estragou seu desfile.

- Ei, aquele não é o Thiago? – Roxy apertou os olhos ao ver um rapaz magro atravessar a porta média que levava aos fundos do galpão, da qual os quatro colegiais haviam adentrado com a ajuda do segurança.
- O quê? – Matt não havia entendido por causa da música alta.
- Vem, vamos atrás dele – Roxy puxou o guitarrista pra mesma direção que Thiago havia ido.
Sean resolvia fazer o mesmo que Roxy, puxando Nicole junto, quando a música de ambiente foi trocada por uma antiga da Madonna, Music, da qual a carioca adorava.
Ela se desvencilhou das mãos dele, e se quedou no lugar que estava. O melhor do evento estava por vir, ela não iria sair àquela hora.
O casal começava a discutir quando dois seguranças se aproximaram, um gentilmente puxando Nicole para si enquanto o outro enquadrava Sean.
- Convites? – inquiriu.
Sean arregalou os olhos. Não sabia o que dizer.
- Os deixei na portaria.
- Que estranho, pois não foram distribuídos convites. Era nome na lista.
O baterista engoliu seco.
Enquanto Sean era arremessado na calçada, Nicole era conduzida afavelmente por Marcelo até a saída.
- Depois eu te ligo, Tchelo. E a gente marca de se ver – com beijinhos na bochecha foi que eles se despediram.
Nicole se virou para a rua, Sean a encarava revoltado.
- O que foi? – ela indagou antes de reparar no estado do garoto – Uau. O que aconteceu com você? Levou uma surra?
- Não. Pra sua infelicidade.
Nicole riu.
- Eu nunca desejaria que você levasse uma surra, a não ser que essa surra fosse dada por mim – ela alisou com a mão a bochecha do garoto.
Sean franziu a testa. Não havia sacado o tom malicioso na voz dela.
- Você bebeu? – perguntou.
- Não, burro – Nicole se afastou.
Nada mais deprimente do que um garoto lerdo numa noite de sexta-feira, ela pensou encarando a rua cheia de carros, mas vazia de pessoas.
- Sean! – Roxy berrou ao sair pela porta dos fundos e ver os amigos na calçada.
Matt vinha logo atrás.
- O Thiago passou por aqui? – quis saber.
- Não.
- Ai, droga! O perdemos de vista então!
- Mas o que vocês tanto querem com o garoto cara de virgem? Pensei que tivessem vindo salvar a amiga de vocês... Só não sei salvar do quê, exatamente, né? – Nicole desdenhou a preocupação deles, que para ela era totalmente sem sentido. Queria ela estar no lugar de Small. Desfilando...
- Acorda, garota! – Roxy a tirou de suas fantasias. – Não que a gente lhe deva explicações, mas o “cara de virgem” é o principal motivo por estarmos aqui.
- Que seja. Eu não falei com você. Falei com o Sean – Nicole se virou para o baterista.
As garotas iniciaram um bate e boca deixando Sean em maus lençóis toda vez que citavam o nome do rapaz como argumento.
Exausto com o clima tenso que ficava com as duas por perto, Matt coçou a testa em um gesto estressado e suspirou, dirigindo involuntariamente o olhar para a porta que acabara de ser aberta.
- Galera... – ele tentou avisar, mas as meninas não permitiram.
Elas só deixaram de discutir ao escutarem soluços de um choro sufocado partir da saída do galpão.
- Small? – Sean balbuciou.
Os olhos da estudante estavam cheios de lágrimas, mas nenhuma escorreu. Ela fitou os quatro jovens perplexos diante dela.
- O que vocês estão fazendo aqui? – inquiriu parecendo zangada.
- Viemos te ajudar – apressou-se Roxy em dizer.
- Você não foi mais ao colégio, ficamos preocupados – disse Sean, se referindo precisamente a ele do que aos outros.
Small desviou os olhos para Sean. Eles se encararam. Era a primeira vez que se encontravam depois daquela noite juntos.
E não foi a mesma coisa. Não tiveram a mesma reação de quando matinalmente se viam no colégio. Não eram mais apenas colegas de sala. E muito menos só amigos. Eles puderam sentir enquanto fitavam um o rosto do outro. Sean conhecia cada parte do corpo de Small e o mesmo podia se dizer dela em relação a ele.
A estudante enrijeceu os ombros pressionando os dedos da mão contra as palmas por debaixo da blusa de manga comprida. Ela quis vomitar, enojada consigo mesma. Como ela pode deixar que aquilo acontecesse?
Se fez três minutos de um silêncio que se prolongaria se não tivesse sido interrompido por palmas batidas atrás de Small.
Ela girou para a porta do galpão, da qual Thiago acabara de sair.
- Palmas. Por favor, palmas - pediu educadamente se dirigindo a estudante. - Palmas pro reality show que é a minha vida.
- Thiago... – Small derrubou a primeiro lágrima assim que o viu.
- Sim. Eu. Não sou eu quem vocês queriam ver? Oh, me desculpem se os decepcionei, mas pensei que tivessem vindo para me ver. E, por favor - ele tirou os olhos de Small para espiar os outros jovens na calçada. –, não parem a conversa só por que eu cheguei. Não era a minha intenção atrapalhar.
- Você está sendo debochado, Thiago! – Small tomou forças para afrontá-lo.
- Estou? – ele baixou os olhos para ela. – Por que eu acho que não. Eu realmente acho que vocês todos estão aqui por minha causa e, agora que me encontraram, estou atrapalhando.
- Não é nada disso que você está pensando – disse mantendo a voz firme.
O jeito seco de Thiago agir estava acabando com ela.
- Eu não estou pensando em nada. Eu não sei o que pensar. Há alguns dias eu te pedi um tempo e agora você está aqui na minha frente chorando. Essa maquiagem no seu rosto, você desfilando, os seus amigos aqui... Será que você tem como explicar tudo isso, Small?
- Ah, fala sério, Thiago! – exaltou-se Roxy. O rapaz desviou os olhos para ela. – Quem tem que dar explicações aqui é você! Esse evento, essas pessoas, o seu carro caríssimo, esse terno...
Ela botava pra fora todas as suas acusações sobre a vida dele quando Small se virou.
- Fica quieta, Roxy! – a estudante estourou engasgada pelo choro – Será que você consegue não se intrometer pelo menos uma vez? Eu sei que você quer ajudar, mas eu não sou a Missy pra você ficar cuidando da minha vida! O que o Thiago é, não é problema seu. É problema meu. E unicamente meu.
Todos ficaram em choque. Até mesmo Small se recusava a crer que havia gritado com a colega.
Outro silêncio se vez entre os jovens. Ninguém sabia o que dizer, o controle da situação pendia somente a Roxy e Small.
Mas nenhuma delas tomou atitude, sobrando para Nicole piorar a situação. A carioca carregou a mão para a boca segurando um riso teimoso.
A risadinha dela foi o fim para Roxy.
- Que ótimo! – a roqueira bufou. – Perdi um dia da minha vida pra ter que ouvir isso! Mas tudo bem. Que se exploda! Que se dane tudo!
Roxy atravessou a rua marchando em direção ao carro.
- Small – Sean quis repreendê-la, mas a garota não deu chances para que ele falasse.
- Chega, Sean – ela ergueu as mãos, implorando. - Eu não quero ouvir mais nada. Eu quero que vocês peguem e vão embora, por favor.
Matt foi o primeiro a agir negativamente. O guitarrista soltou um suspirou pesado simultaneamente rolando os olhos. Por que merda eles vieram atrás daquela garota?
Ele foi atrás de Roxy sem pensar duas vezes.
- Por que você está fazendo isso, Small? – quis saber Sean.
- Por que talvez eu não esteja pronta para te encarar. Não depois daquela noite – disse, abrindo uma pausa para engolir o choro – Você não acha que já me consolou o bastante? Está na hora de me deixar sozinha, Sean.
Naquele momento ele desejou que ela tivesse sido grossa como foi com Roxy ao invés de ter dito claramente que preferia sofrer por Thiago em vez de ficar na companhia do amigo.
De repente Sean sentiu alguém segurar em sua mão.
- Vem comigo. Vou tentar te livrar dessa sem que seja mais humilhado – Nicole disse o arrastando pro mesmo caminho que Roxy e Matt haviam feito.
A essa altura a visão de Small havia se perdido completamente em meio as lágrimas que transbordavam de seus olhos. Ela tentou não assistir Nicole e Sean sumirem na escuridão da rua. Sabia que sofreria mais se contemplasse seus amigos a deixando.
Small fechou os olhos e passou a mão pelo rosto antes de se voltar para Thiago. Ela estava apenas se preparando parar por pra fora tudo o que feria por dentro desde a conversa deles no hospital.
- Thiago... – começou ela.
O jeito seco de Thiago não havia melhorado. Ela podia sentir ele a julgando erradamente o tempo todo que se olharam nos olhos.
- Eu não espero que você entenda o que aconteceu hoje. Eu também estou confusa, acredite. Mas eu preciso que você compreenda que eu precisava saber quem você era.
- Quem eu era?! – Thiago perdeu a serenidade com essa declaração dela. – Quem você achou que eu fosse? Um transviado? Um mentiroso cheio de amantes? Ou um homem tentando esconder um passado suspeito? Não sei. Eu só sei que quando eu estava com você era um dos poucos momentos em que eu era eu mesmo. Sem cobranças, sem marketing, sem querer parecer perfeito. Eu apenas era eu mesmo. E agora você me diz que precisava saber quem eu era? Eu fui eu mesmo com você o tempo todo.
- Thiago... – Small tentou se manifestar, mas sua voz já não estava mais firme como antes. O choro tomaria conta dela em questão de minutos.
- Você quer saber quem eu sou, não quer? - Thiago deu alguns passos pra trás e apontou para o galpão. – Isto sou eu. Esse evento sou eu. Esse terno sou eu.
Esses carros sou eu. Todos esses bens materiais sou eu por que eu sou a porcaria do filho de um empresário milionário! - ele bradou, exprimindo indignação por ser quem era. – Você não queria saber quem eu era? Pois aqui está a sua resposta. Só saiba que nada disso muda o que eu fui com você.
Quando Thiago terminou seu paletó estava amarrotado por causa dos gestos bruscos que fez para apontar a cada um dos objetos que citou e seu rosto estava vermelho de raiva, mas, uma ponta de tristeza se exprimiu no meio de toda aquela revolta.
Por debaixo daqueles óculos de grau Small pode ver o olhar dele perder a frieza e se demonstrar tão frágil quanto o dela. Nesse momento ela revolveu tentar se explicar novamente.
- Thiago, me deixa terminar, por favor – suplicou.
- Terminar? Você não precisa terminar nada, já está terminado. Você não percebeu? Não há mais clima para nós. Eu não te enxergo mais do mesmo jeito, Small. E o mesmo acontece com você.
Small não conseguiu segurar mais nenhuma lágrima. Foi demais para ela.
Um carro encostou-se ao meio fio da calçada e buzinou, chamando a atenção do casal. Eles se viraram para rua e para a surpresa de Small não se tratava de Sean e seus amigos. Tratava-se de um carro completamente escuro, incluindo os vidros, e longo, bastante longo. O vidro traseiro foi aberto e um senhor de cabelos grisalhos apareceu na janela chamando Thiago sem precisar proferir nenhuma palavra.
Era o mesmo homem sentado ao lado do rapaz na mesa do salão, também sendo o mesmo que fez a apresentação do desfile e dono da ordem que pôs Nicole e Sean pra fora.
Thiago respirou fundo se recompondo daquela discussão. Ele passou por Small como quem não quisesse ter de dizer adeus.
- Não precisa acabar assim – ela disse travando os passos dele.
- Precisamos analisar o todo para depois, compreendermos as partes... Não é? – usou uma frase de um filósofo do qual ele sabia que Small conhecia. - Você queria saber quem eu sou, mas você já sabia desde o início.
- Acontece que o menor desvio inicial da verdade multiplica-se ao infinito à medida que avança – ela também citou uma frase filosófica.
Thiago a olhou dentro dos olhos.
- Eu nunca menti pra você. Posso ter omitido algumas verdades, mas nunca menti.
Small ficou calada, levando-os a darem aquela conversa como acabada. O garoto se dirigiu ao carro sem repercutir.
- Thiago.
Small o fez olhar para trás.
- Eu não vim aqui por que queria saber quem você era.
Ele pareceu confuso com a recente declaração dela.
- O verdadeiro motivo por eu estar aqui é por que fiquei louca com o tempo que você me pediu e não sabia mais o que fazer. Eu andei a semana inteira numa corda bamba e precisava saber se era o fim. Por que... - Small fechou os olhos tentando não se deixar levar pelo medo de uma menina incapaz de dizer o que sente. Ela abriu os olhos com o sereno gelado da noite soprando contra seu rosto, exatamente como acontecia nos muitos finais de tarde passados naquela ponte solitária de São Paulo, da qual se cansava de ter chorado por não ter exposto o que sentia. – Por que eu preciso de você. Eu te amo, Thiago.
Dizer aquelas palavrinhas foi mais difícil do que a estudante esperava. A cada segundo de espera por uma resposta era um ponto a mais pro arrependimento bater. Uma esperava que duraria mais do que aquela noite, pois a resposta não veio.
- Thiago – o homem de cabelos grisalhos o chamou.
E pareceu que Thiago não teve que lutar muito para atravessar a calçada e seguir em frente, dando uma última olhada em Small antes de entrar no carro.
O carro partiu deixando para trás um coração partido.
- Quem era ela? – perguntou o homem assim que Thiago bateu a porta.
- Ninguém.
- Ninguém importante?
- Não mais.
Talvez não fosse só um coração partido.


- Vamos embora?
Juntamente com essa pergunta de Matt para Nicole, Roxy e Sean, Small surgiu na virada da quadra em que o carro deles estava estacionado.
Puderam saber que a jovem não estava bem pelo andar deprimido e os murmúrios do que seria um choro.
Os quatro se entreolharam.
- O que vamos fazer? –Sean apressou-se em perguntar.
- Ajudá-la, não? – disse Nicole.
- Por mim vamos embora – Roxy deu de ombros e entrou no carro.
Matt fez o mesmo que a roqueira e Nicole e Sean tomaram a atitude de ir atrás de Small.
Pouco tempo depois, estavam de volta trazendo a estudante com eles.
Ela ocupou o lugar entre Sean e Nicole no branco detrás enquanto Matt os levava de volta a São Paulo e Roxy fingia não se importar com o sofrimento da colega.
Durante todo o trajeto Small permaneceu com a cabeça recostada no peito de Sean a por pra fora toda a dor de ter terminado um relacionamento que mal havia engatado.
Todos estavam tensos com o choro angustiado da garota, menos Sean. Ele parecia compreensivo abraçando Small com tanto carinho.
E isso encantou Nicole. Ela não conseguia tirar os olhos dele. Mesmo depois de tudo o que havia acontecido, Sean conseguia ser o amigo que toda garota em um momento daqueles precisaria ter. Small estava totalmente segura nos braços dele.

Parando em frente à casa da estudante, Matt se virou pros três detrás: - Chegamos.
Small desencostou-se de Sean e passou os dedos pelas pálpebras úmidas e inchadas. Ela não queria encarar nenhum dos colegas, mas fez um esforço.
- Obrigada gente. Obrigada Sean, obrigada Matt, obrigada...
- Nicole – Nick sorriu.
- Obrigada Nicole – Small forçou um sorriso para a carioca e continuou. Ela não havia se esquecido de Roxy. – E obrigada, Roxy. Eu sei que está chateada comigo, pois sei que fui dura com você, mas espero que você me desculpe. Eu estava alterada com tudo e...
- Tudo bem, Small – Roxy suspirou pesadamente no banco da frente. – Amanhã a minha raiva vai ter passado.
Small saiu do carro após Sean. Ele a acompanhou até a portaria do prédio que a estudante morava.
- Está melhor?
- Não. Mas irei ficar – Small garantiu. – Sean, eu te devo desculpas também. Eu não queria ter falado aquelas coisas.
- Não. Já passou. A Roxy que é meio cabeça dura e vai levar um tempo pra esquecer.
O porteiro destravou o portão assim que a reconheceu como moradora e Sean fez a gentileza de abri-lo para ela.
- Boa noite – disse ele.
Small adentrava o prédio ao repentinamente se virar
- Sean.
Ele balançou a cabeça para que ela falasse o que queria.
- Foi perfeito.
Um silêncio invadiu o baterista.
- Eu nunca imaginaria a minha primeira vez de outro jeito. Foi perfeito, em tudo.
Sean estava surpreso. Não que ele não quisesse ouvir aquilo, mas ouvir lhe surpreendeu. Principalmente pela maneira como tudo havia acabado.
- Mas não vai mais se repetir. Somos amigos, e eu quero continuar sendo apenas a sua amiga. Não quero perder o que temos.
- Mas Small...
- Tem noção de quantos corações estão em jogo?
Sean teve de assentir para que Small entrasse no prédio sabendo que pelo menos entre ela e ele tudo continuaria o mesmo.
Sean retornou ao carro com um sorriso bobo no rosto, o que deixou Matt intrigado.
- O que aconteceu lá?
- Nada – Sean disse ainda sorrindo. O fato era que o fez bem saber que não havia falhado com Small, e que a primeira transa dela havia sido perfeita em vez do desastre que exprimiu ser.
- Tem mais de sessenta ligações perdidas no meu celular! – Nicole exclamou lembrando aos demais de verificarem os seus celulares. – Meu pai me ligou mais de sessenta vezes. Isso só em um dia de sumiço, imagina se eu viajo sem avisá-lo? Coitado, morreria.
- Isso seria irresponsável da sua parte – Sean a repreendeu e cutucou Matt. – Cara, me empresta o seu celular aí que o meu descarregou e eu vou ligar pro meu pai avisando que a gente daqui a pouco tá em casa.
- Eu não trouxe. Na tensão de pegar o carro do seu pai, acabei esquecendo.
- Tinha que ser! – Sean deu um tapa na cabeça do amigo e opinou por Roxy. – Manda o seu aí.
- Eu não carrego mais o meu celular pro colégio, ninguém me liga além de você e da Missy.
- Então, só a Nicole que tem celular aqui? – inquiriu o baterista.
- E isso me parece irresponsável da parte de vocês – ela zoou e entregou o aparelho a Sean.
- Liga rapidinho que eu também quero dar um sinal de vida pro meu pai.
- E você, não vai ligar pra ninguém? – Matt perguntou a Roxy.
- Não. Meus pais já devem estar dormindo, eles não se importam.
Era o que a roqueira achava.

Em sua casa, Missy descia as escadas para jantar depois de uma tarde inteira dormindo quando ouviu sua mãe desligar o telefone. Pelos nomes citados, ela falava com a mãe ou irmãs de Roxy.
A pequena mal passou da sala para a cozinha e foi tomada para um interrogatório feito por sua mãe.
- Filha, que bom que você acordou. Você sabe onde está a Roxy? Ou se ela ia a algum lugar com alguém depois das aulas?
- Não. Por quê?
- Por que ela não voltou pra casa depois do colégio. A família dela está desesperada, não param de ligar na esperança de que você saiba de algo.
- Desculpa, mãe, mas até onde eu sei a Roxy não tinha nada marcado com ninguém, ela não me disse nada.
O telefone voltou a tocar e Glória se apressou para atender.
- Deve ser a mãe dela de novo. Pobrezinha. Está a beira de um ataque.
- Eu sabia que essa menina era problema. Deve estar metida com drogas e andando com más influências – Mário adentrou a cozinha para pegar o café.
- Vira essa boca pra lá, Mário! – gritou Glória da sala.
Missy não deu atenção a nenhum dos dois e voltou para seu quarto sem comer nada. Ela fechou a porta e pegou seu celular, discando direto o número de Sean.
A pequena suspirou, só dava fora de área ou desligado. Ela tentou o número de Roxy e deu o mesmo, até que discou outro número. Ligava para Matt, mas ninguém atendeu.
Missy bufou. Seus amigos haviam tomado um chá de sumiço ou o quê?
Procurando mais alguém para ligar, ela deu de cara com o número da casa de Sean.
Teria que ser muito atrevida para ligar pra lá tarde da noite, mas não poupou esforços para saber onde ele e sua melhor amiga estavam.
Missy ligou e uma voz trêmula a atendeu. Era a mãe de Sean e se não fosse pelo momento não ser dos mais agradáveis, sentiu que elas se dariam bem como nora e sogra.
A pequena deitou na cama e fitou o teto. Não era só Roxy estava sumida, Sean também não dava notícias desde a saída do colégio.
Missy relaxou, pois sabia que eles estavam juntos e, portanto, sua amiga não corria perigo, mas não deixou de pensar no que eles estavam aprontando e por que não haviam a chamado.

- Alô, pai? – depois de tempos dando como ocupado, Sean foi atendido. E não demorou para ele desligar, apavorado.
- O... O... O meu... Meu... Meu pai...
- O seu pai o quê, Sean? – Roxy instigou.
- Está furioso, não é? Eu sabia. Acho que vou passar a noite num hotel hoje – disse Matt.
- Gente... Acho que ele não está passando bem - Nicole se arrastou no banco pro caso de Sean querer vomitar. A palidez da pele dele e o rosto sem expressão davam a entender de que faria isso no primeiro deslize.
- Porra. Conta o que ele falou, Sean! – Matt se estressou.
- O meu pai chamou a polícia pra gente...
- Retiro o que eu disse do meu pai. O seu pai que morreria caso você viajasse sem avisar – Nicole tirou o sarro.
- Está brincando, né? – Roxy riu sem acreditar.
Sean sacudiu a cabeça.
- Meu pai nos denunciou pra polícia pelo roubo do carro.
- O quê?! – Matt deixou o motor do carro morrer na mesma hora.